segunda-feira, 18 maio, 2026
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Maria Bethânia reina majestosa na roda do samba de Pretinho da Serrinha, ‘movimento que representa o Brasil real’

Maria Bethânia é recepcionada por Pretinho da Serrinha na apresentação do ‘Batuke do Pretinho’ na casa Vivo Rio na noite de domingo, 17 de maio
Ricardo Nunes / Divulgação Vivo Rio
♫ CRÔNICA
♬ “Maria Bethânia! Maria Bethânia!”, saudou em coro o público que lotou a pista da casa Vivo Rio na noite de domingo, 17 de maio. Feita diante da própria cantora, presente no palco, a saudação sublinhou o fato de Maria Bethânia ter reinado ao entrar na roda de samba de Pretinho da Serrinha com o habitual porte majestoso.
A artista foi a convidada da apresentação de ontem do “Batuke do Pretinho”, roda de samba em formato de show que o cantor e percussionista carioca vem apresentando aos domingos na casa Vivo Rio, na cidade natal do Rio de Janeiro (RJ).
A diamantina presença de Bethânia alterou o ambiente da roda. Até porque a cantora levou dois músicos da própria banda, o baixista Jorge Helder (excepcionalmente no violão) e o violeiro Paulo Dafilin, alocados ao lado de um dos naipes de percussionistas arregimentados por Pretinho para o show.
Depois de o dono da roda entreter o público com o canto de sambas dos repertórios de Roberto Ribeiro (1940 – 1996), Jorge Aragão e Arlindo Cruz (1958 – 2025), entre outros bambas, a cena foi preparada para a entrada de Bethânia. Quando a voz grave da cantora foi ouvida da coxia, entoando breves versos do samba “Alguém me avisou” (Ivone Lara, 1980), o público vibrou e a energia mudou.
Maria Bethânia leva o baixista Jorge Helder (ao fundo, ao violão) para a roda de samba de Pretinho da Serrinha
Ricardo Nunes / Divulgação Vivo Rio
Quando efetivamente pisou no palco da casa Vivo Rio, cantando “Sonho meu” (Ivone Lara e Delcio Carvalho, 1978), samba que lançou há 48 anos em um dos álbuns mais bem-sucedidos dos 60 e poucos anos de carreira, Bethânia se mostrou feliz, com a voz potente, quente.
A cantora não fez uma participação burocrática, como em outras intervenções em shows alheios. Ficou nítido que a artista queria estar ali na roda de Pretinho da Serrinha, saudado por Bethânia como “garoto lindo”.
Na sequência, a cantora caiu bem no “Samba do grande amor” (Chico Buarque, 1983) – com Pretinho no tamborim – e celebrou o samba da Bahia natal em pot-pourri que aglutinou “Lindomar”, “Samba de dois” e “Cosme e Damião”, preparando o terreiro para o canto de “Reconvexo” (Caetano Veloso, 1989).
As falas de Bethânia antes e depois do canto do samba “O que o que é” (Gonzaguinha, 1982) – “Tô muito feliz de estar aqui. Esse rapaz é um músico extraordinário” e “Esse movimento que o Pretinho faz me representa e representa o Brasil real” – reforçaram a energia boa que envolveu a generosa participação da cantora no “Batuke do Pretinho”.
Ovacionada pelo público, por Pretinho da Serrinha e pela big banda, Bethânia saiu da roda após cantar o samba-canção “Negue” (Adelino Moreira e Enzo Almeida Passos, 1960) a “pedido dele”, como ressaltou Bethânia. Ele, claro, é Pretinho, menino da Serrinha que é o rei da roda, mas ontem se portou como súdito diante de sua majestade, a Abelha Rainha.
Pretinho da Serrinha deixa o centro do palco ser ocupado por Maria Bethânia na participação da cantora no ‘Batuke do Pretinho’
Rodrigo Goffredo
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