segunda-feira, 25 maio, 2026
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Presidente do Irã manda restabelecer internet internacional após bloqueio durante protestos

Kit da Starlink com antena, modem e cabos custa US$ 499
Divulgação/SpaceX
Após quase três meses de restrições, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, ordenou a reabertura do acesso internacional à internet no país, segundo informou a mídia estatal iraniana nesta segunda-feira (25).
A decisão foi confirmada pelo chefe de relações públicas do Ministério das Comunicações do Irã, segundo a imprensa estatal.
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Segundo o observatório de monitoramento digital NetBlocks, a maior parte da população iraniana estava sem acesso à internet havia 87 dias. Apenas alguns cidadãos conseguiam acessar a rede por meio de VPNs consideradas mais avançadas e de alto custo, usadas para contornar as restrições impostas pelo governo.
As limitações no acesso à internet no Irã vêm sendo alvo de críticas de organizações internacionais e de defensores da liberdade digital, especialmente em momentos de tensão política e social no país.
Até o momento, não há informações quando o serviço deve ser totalmente restabelecido nem se haverá limitações parciais de acesso.
Histórico do Irã com a internet
O bloqueio geral da internet no Irã começou em 8 de janeiro, em meio a protestos contra o regime iraniano que tomaram as ruas do país desde o fim de dezembro.
Na época, o NetBlocks informou que o nível de conectividade havia caído para cerca de 1% do padrão normal no país, que tem cerca de 90 milhões de habitantes.
Níveis de conectividade de internet no Irã entre 5 e 13 janeiro
Reprodução/NetBlocks
Bloqueios de internet e apagões digitais não são novidade no Irã. O regime teocrático costuma restringir o acesso à rede durante protestos antigoverno ou períodos de tensão militar e política.
Em fevereiro, no início da ofensiva militar dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, o governo iraniano voltou a restringir o acesso à rede. Na época, o NetBlocks contabilizou mais de uma semana ininterrupta de apagão digital, com a conectividade estagnada em torno de 1% dos níveis normais.
Com a interrupção, tarefas simples como usar o Google Maps ou acessar sites internacionais se tornaram impossíveis. Apenas a intranet local, controlada pelo governo e com funcionalidades limitadas, permaneceu disponível.
O bloqueio também afetou iranianos que vivem fora do país e tentavam contato com familiares.
Relatos publicados pela agência Deutsche Welle mostraram que chamadas telefônicas para celulares e telefones fixos no Irã quase não conseguiam ser completadas durante o apagão.
Apesar das restrições, alguns iranianos recorreram a ferramentas para burlar a censura, como VPNs, a plataforma Psiphon e conexões ilegais da Starlink, empresa de internet via satélite de Elon Musk.
Esta foi a terceira vez que o Irã promoveu um bloqueio geral de internet.
As outras ocorreram em 2019, durante protestos contra o aumento do preço dos combustíveis, e em 2022, após a morte de Mahsa Amini, presa por supostamente usar o véu islâmico de forma inadequada.
Em 2025, o governo iraniano também acusou o WhatsApp de espionar usuários do país e colaborar com Israel. A Meta negou as acusações e afirmou que as mensagens do aplicativo são protegidas por criptografia.
Bloqueio Starkink
Até mesmo a Starlink foi parcialmente afetada. Segundo Amir Rashidi, diretor da organização Miaan Group, o governo iraniano utilizou jammers — equipamentos que geram interferência em sinais — próximos às antenas da empresa para bloquear o funcionamento do serviço.
Na ocasião, a Proton VPN afirmou que as conexões a partir do Irã estavam diminuindo porque “a internet foi completamente desligada”. O NetBlocks também relatou que a população estava praticamente isolada do mundo exterior.
Especialistas ouvidos anteriormente pelo g1 explicaram que governos conseguem interromper o acesso à internet ao obrigar operadoras a suspenderem sinais enviados por cabos e antenas.
No caso da internet via satélite, porém, o bloqueio é mais complexo porque as empresas responsáveis pelo serviço podem operar sem infraestrutura física dentro do país.
Segundo Thiago Ayub, diretor de tecnologia da Sage Networks, a alternativa encontrada pelo Irã foi investir em técnicas de jamming para embaralhar os sinais emitidos entre satélites e antenas de usuários.
Pesquisadores e ativistas também alertaram que o apagão digital dificulta a organização de protestos, restringe a circulação de informações independentes e favorece a disseminação de narrativas pró-governo.
Além disso, durante ataques militares, o bloqueio da internet pode impedir que civis recebam alertas de evacuação e avisos de segurança em tempo real.
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