Só que, na realidade, Ori foi gestado antes de Retinta sob direção musical de Letieres Leite (8 de dezembro de 1959 – 27 de outubro de 2021) – o que explica o fato de o álbum Ori ostentar arranjos deste maestro, arranjador, percussionista, e saxofonista baiano que saiu de cena há três anos. A morte de Letieres fez Nara decidir esperar para mostrar Ori ao mundo.
Nascida há 42 anos em Salvador (BA) e residente na cidade de São Paulo (SP), Nara Couto iniciou a trajetória como bailarina do Balé Folclórico da Bahia. Após ter sido vocalista e/ou dançarina de estrelas conterrâneas como Daniela Mercury, Ivete Sangalo, Margareth Menezes e Mateus Aleluia, Nara assumiu o protagonismo musical com o álbum Retinta.
Nesse sentido cronológico, Ori dá continuidade à linhagem nobre de Retinta, mostrando Nara Couto de cabeça feita, em conexão com a África materna. Ori, a propósito, quer dizer cabeça na língua iorubá.
“Ori é um portal de muitos mundos e músicas. Liga o caminho dos nossos antepassados à construção do futuro que somente é possível na vida do presente. As canções escolhidas são encantamentos musicais para celebração do bem viver”, conceitua a artista.
Para celebrar a ancestralidade afro-brasileira, Nara Couto convidou os veteranos Mateus Aleluia e Vovó Cici a atravessar o portal de Ori.
Aleluia assina Filho de rei e participa da gravação da música, escolhida como primeiro single do álbum. Ialorixá do terreiro Ilê Axé Opô Aganju, em Salvador (BA), Vovó Cici – como é chamada a já octogenária Nancy de Souza e Silva – figura em Meu caminhar ao lado de Luedji Luna.
A conexão com a África é reforçada em Ori no arremate do álbum com Tchep Tcherep Tchep, música de autoria de Maio Coopé, compositor de Guiné Bissau.
Já Badauê é música da lavra do compositor, percussionista e mestre de capoeira Romualdo Rosário da Costa (29 de outubro de 1954 – 8 de outubro de 2018), o Mestre Moa do Katendê, assassinado há cinco anos em discussão sobre política.
Aberto em feitio de oração com a récita de Acredite no seu axé, texto da escritora baiana Carla Akotirene, o álbum Ori traz no repertório músicas como Amor da minha vida, Deu foi dó e Fósforo, além da regravação de Refavela, música de Gilberto Gil que batizou álbum visionário sobre a cultura negra lançado pelo artista baiano em 1977.
Nara Couto atravessa o portal do álbum Ori com a bagagem repleta de referências recolhidas na caminhada que vislumbra o futuro sem perder de vista o olhar do passado.
Capa do álbum ‘Ori’, de Nara Couto
Divulgação

