O PMB segue os passos do Rock in Rio – festival que se abre para a música sertaneja na edição de 2024 com show coletivo protagonizado pelos mesmos Chitãozinho & Xororó com nomes com Luan Santana e Ana Castela – e se rende ao império sertanejo.
Com a homenagem do Prêmio da Música Brasileira à dupla formada pelos irmãos paranaenses, a porteira está definitivamente aberta. E essa abertura de portas até então fechadas é mais do que justa.
Se o Brasil ouve e consome música sertaneja em escala industrial, não há sentido em abafar o gênero em festivais e premiações relevantes. E é também justo que a (tardia) rendição seja feita com tributos a Chitãozinho & Xororó.
Em cena desde 1970, a dupla contribuiu decisivamente para o processo de urbanização pop do som sertanejo a partir da década de 1970, dando à música sertanejo um tom mais pop romântico sem se afastar da velha sofrência.
Resta saber como se comportarão os artistas mais ligados ao Prêmio da Música Brasileira, um dos últimos redutos onde a MPB ainda dá as cartas, embora a premiação já venha buscando nos últimos anos maior diversidade no elenco convidado.
Nem todos os gigantes da MPB e do samba gostam de associar os nomes ao universo sertanejo. Havia inclusive uma campanha informal nos bastidores para que o compositor carioca Francis Hime fosse o homenageado na edição de 2025.
Para certos nichos, certamente é heresia celebrar Chitãozinho & Xororó antes de grandes nomes da MPB como Edu Lobo e o próprio Francis Hime, dois compositores excepcionais que não costumam ser lembrados em premiações.
Diante desse quadro, a escolha da dupla deve gerar lamentações e certa controvérsia nos nichos vaidosos da MPB, nem que a insatisfação fique restrita aos bastidores. Contrariedades à parte, que venha o Ano Chitãozinho & Xororó no Prêmio da Música Brasileira 2025 !

