Ele deixou o cargo em protesto contra a forma como a organização e a BBC lidaram com um insulto racista ocorrido durante a cerimônia de premiação.
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Em publicações nas redes sociais, Richardson classificou a condução do caso como “totalmente imperdoável”. O produtor afirmou que a instituição falhou em proteger a dignidade de convidados e membros negros e acusou o BAFTA de manter um histórico de “racismo sistêmico”.
Entenda o caso
O episódio envolveu o ativista John Davidson, que tem Síndrome de Tourette e é tema do documentário I Swear. Durante a cerimônia, ele pronunciou um termo racista direcionado aos atores Michael B. Jordan e Delroy Lindo.
O BAFTA pediu desculpas formalmente e assumiu “total responsabilidade”, explicando que Davidson apresenta tiques involuntários fora de seu controle. O ativista também se manifestou, dizendo estar “profundamente mortificado” com a possibilidade de suas falas terem sido interpretadas como intencionais.
🧠A Síndrome de Tourette é um transtorno neurológico que faz a pessoa ter “tiques”, ou seja, movimentos ou sons involuntários que ela não consegue controlar, como piscar repetidamente, fazer caretas, tossir, repetir palavras ou emitir sons inesperados. Esses tiques não são feitos de propósito e podem aumentar em situações de ansiedade, estresse ou cansaço.
Falha na transmissão
A rede britânica BBC passou a ser alvo central das críticas por ter exibido o momento na transmissão oficial. A premiação foi ao ar com cerca de duas horas de atraso — que foi considerado por muitas pessoas suficiente para que o trecho fosse editado.
O conteúdo ainda permaneceu disponível por cerca de 15 horas no serviço de streaming da emissora antes de ser retirado do ar.
Repercussão política
A deputada trabalhista Dawn Butler questionou o diretor-geral da BBC, Tim Davie, sobre a decisão editorial.
Ela apontou contradição no fato de a frase “Palestina livre”, dita pelo diretor Akinola Davies Jr., ter sido removida da transmissão, enquanto o insulto racista foi mantido.
Segundo Butler, foi possível ver a reação dos atores no palco “enquanto se recompunham para continuar como os profissionais que são”, destacando o impacto do episódio para o público.
A líder conservadora Kemi Badenoch também criticou a emissora e classificou a não edição do termo como um “erro horrível”.
O BAFTA ainda não comentou a saída de Richardson do júri.

