domingo, 10 maio, 2026
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Família vive apreensão após desaparecimento de tocantinense voluntário na guerra da Ucrânia

Família vive apreensão após desaparecimento de tocantinense voluntário na guerra da Ucrâni
Joana Maria Martins vive um momento de angústia depois de receber a notícia de que seu filho, Eliseu Delis Pereira Martins, morreu durante a guerra na Ucrânia. Conforme o Itamaraty, as autoridades ucranianas notificaram que o brasileiro se encontra no quadro de “desaparecido em combate”.
Segundo a família, em março de 2026, o tocantinense saiu da Bélgica e foi para a Polônia depois de ver uma proposta para ser voluntário no conflito. A mãe explicou que a oferta dizia que os voluntários receberiam um bom salário e isso teria motivado o filho.
“Eles informavam que era a reconstrução da cidade, que o salário era bom e que tinha operador de drone, tinha vaga para quem queria cozinhar, momento nenhum eles mencionaram frente de guerra. Quando foi no dia 4 de março desse ano, ele comprou a passagem. Quando ele chegou lá, ele falou: ‘Mãe, eu vou fazer um treinamento de 60 dias para poder participar da linha de frente'”, contou ao g1.
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O tocantinense, natural de Miracema do Tocantins, estava na Europa desde janeiro de 2025 e decidiu se inscrever para atuar na guerra em dezembro do mesmo ano. Eliseu só foi para a Ucrânia em março de 2026. A mãe contou que tentou alertar o filho sobre o perigo do trabalho, mas foi informada por Eliseu, que após se apresentar para os serviços, não tinha como escolher a função em que iria atuar.
“Eu falei: você não vai, não. E ele: ‘Mãe, a gente vem para cá e é uma coisa… Quando a gente chega aqui, é outra. Eu não posso escolher, eu simplesmente sou mandado e eu tenho que fazer isso”.
Eliseu Delis Pereira Martins, em serviço na Ucrânia.
Joana Maria Martins/Arquivo pessoal
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Joana falou com o filho pela última vez no dia 13 de abril, por videochamada. Conforme a mãe, ela soube da morte de Eliseu pelas redes sociais. No dia 29 de abril, ao procurar informações sobre o filho, recebeu a confirmação da morte dele por meio de outro brasileiro que atua na Ucrânia. “Me ligou para falar que ele [Eliseu] tinha tombado”.
Segundo a mãe, ela não tem informações sobre o dia em que Eliseu morreu e onde está o corpo. A família entrou em contato com o Itamaraty, mas não teve resposta sobre o caso até esta quarta-feira (6).
Joana falou com o filho pela última vez no dia 13 de abril, por videochamada. Conforme a mãe, ela soube da morte de Eliseu pelas redes sociais. No dia 29 de abril, ao procurar informações sobre o filho, recebeu a confirmação da morte dele por meio de obrasileiro que atua na Ucrânia. ssistência consular e com as autoridades ucranianas.
O Ministério ainda disse que, nos casos em que as autoridades ucranianas reportam o falecimento ou desaparecimento de um brasileiro em combate, a Divisão de Comunidades Brasileiras e Assistência Consular do Itamaraty, comunica os familiares e encaminha um documento formulado pelo governo ucraniano a respeito das providências que deverão ser tomadas.
Joana Maria Martins e o filho Eliseu Delis Pereira Martins
Joana Maria Martins/Arquivo pessoal
Eliseu era morador de Palmas e deixou duas filhas. Sem respostas sobre o paradeiro do filho, a mãe tenta lidar com a dor.
“Eu acordo pensando nele, porque ele me ligava todas as vezes, ele me ligava quatro, cinco vezes ao dia. Hoje eu não recebo mais ligação do meu filho. A última vez que ele me ligou, eu vi a tristeza nos olhos dele. Hoje eu sou uma mãe que chora dia e noite”, disse.
Guerra na Ucrânia
A guerra entre Ucrânia e Rússia completou quatro anos em fevereiro de 2026. O conflito começou após o exército russo tomar o controle de regiões estratégicas do leste ucraniano. De acordo com o Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais, a Rússia controla 120 mil km² do território ucraniano atualmente.
Durante os quatro anos, os dois países firmaram e violaram acordos de cessar-fogo. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também se envolveu no conflito e tentou pôr fim à guerra por meio de negociações.
Nota do Ministério das Relações Exteriores
Informa-se que o governo brasileiro, por meio da Embaixada do Brasil em Kiev, foi notificado pelas autoridades ucranianas acerca do status de “desaparecido em combate” do nacional brasileiro mencionado. O Itamaraty está em contato com a família do brasileiro, a quem presta assistência consular, e com as autoridades ucranianas.
Em casos em que as autoridades ucranianas reportam o falecimento comprovado ou o desaparecimento em combate de um brasileiro, a Embaixada do Brasil em Kiev, em coordenação com a Divisão de Comunidades Brasileiras e Assistência Consular do Itamaraty, em Brasília, comunica os familiares no Brasil a respeito do ocorrido e encaminha documento formulado pelo governo ucraniano a respeito de providências a serem tomadas pela família junto àquele governo.
O Ministério das Relações Exteriores, por meio das Embaixadas do Brasil em Moscou e em Kiev, permanece à disposição para prestar assistência consular ao nacional brasileiro.
O atendimento consular prestado pelo estado brasileiro é feito a partir de contato do cidadão interessado ou, a depender do caso, de sua família. A atuação consular do Brasil pauta-se pela legislação internacional e nacional.
Note-se que a prestação de assistência consular em situações que envolvem nacionais engajados em forças armadas de terceiros países apresenta especificidades, inerentes às obrigações contraídas no ato de alistamento e às circunstâncias no terreno de operações.
Em atendimento ao direito à privacidade e em observância ao disposto na Lei de Acesso à Informação e no decreto 7.724/2012, o Ministério das Relações Exteriores não divulga informações pessoais de cidadãos que requisitam serviços consulares e tampouco fornece detalhes sobre a assistência prestada a brasileiros.
Informa-se que o Ministério das Relações Exteriores publicou alerta recente sobre a participação de combatentes brasileiros em conflitos armados em terceiros países.
Veja mais notícias da região no g1 Tocantins.
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