A história de Antônio Júnior Arrais, de 32 anos, ganhou repercussão nas redes sociais após o estudante de medicina resumir anos de luta familiar em um gesto: durante a cerimônia do jaleco, em Araguaína, ele chamou pai e mãe para vestirem a peça nele enquanto exibia uma camisa com a frase “o câncer tentou, mas não levou este momento”, lembrando o tratamento dos pais.
A mensagem fez referência direta à trajetória da família, marcada por três diagnósticos da doença nos últimos anos. Antônio iniciou a faculdade de medicina em fevereiro de 2026, mas foi durante os momentos mais difíceis da doença que ele começou a desenhar o próprio futuro.
“Talvez tenha sido justamente no meio de toda essa dor que nasceu em mim o desejo de cuidar, acolher e lutar pela vida das pessoas”, contou o estudante.
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O estudante contou ao g1 que viveu uma rotina intensa ao lado dos pais durante o tratamento contra o câncer. O pai, Antônio Arrais Bezerra, foi diagnosticado com linfoma não Hodgkin em 2021 e voltou a enfrentar a doença em 2023, quando também teve câncer de pele. Já a mãe, Maria de Jesus, recebeu diagnóstico de câncer de mama em 2024.
“Deixei o meu trabalho em segundo plano, passei a trabalhar em home office quando dava. Meus gerentes foram muito compreensíveis e meus clientes também” lembrou Antônio, que na época trabalhava para uma instituição financeira.
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“Ele nasceu para ser médico, cuidava de todos nós”, diz a mãe.
Reprodução/Arquivo pessoal
Entre exames, viagens e cuidados com os pais, o estudante colocou a própria rotina em segundo plano para acompanhar a família. Ele pesquisava sobre os tratamentos e participou diretamente dos cuidados de ambos, inclusive durante viagens para Barretos, em São Paulo.
A dedicação chamou a atenção até de médicos, que chegaram a questionar se ele já atuava na área da saúde. Para a mãe, essa postura sempre indicou o caminho que o filho seguiria. “Ele nasceu para ser médico”, afirmou.
Antônio relaciona a escolha à vivência com a doença dentro de casa e ao aprendizado que teve ao acompanhar de perto cada etapa do tratamento. A experiência também deixou marcas emocionais profundas. Para ele, o maior impacto não foi apenas a doença, mas o medo da perda.
“Quem convive ou já conviveu com o câncer sabe que o maior medo não é apenas a doença, mas a possibilidade de perder quem amamos”, comentou.
Durante o tratamento, a família enfrentou situações de tensão. Em uma das sessões de quimioterapia do pai, ele passou mal dentro do hospital. A mãe relembra que entrou em desespero, mas viu o filho assumir o controle da situação. “Ele segurou o pai com calma, tentou me acalmar, ligou para o Samu e ficou estimulando ele. Meu filho é muito forte”, disse.
Atualmente, a situação da família é de acompanhamento constante. Maria de Jesus está em remissão após passar por cirurgia e radioterapia. Já o quadro do pai é considerado uma vitória pela medicina, segundo o filho. “Meu pai é uma incógnita, todos os linfonodos que estavam ativos sumiram”, contou Antônio.
Apesar da rotina normal que levam hoje, a vigilância continua. A cada seis meses, os pais viajam para Barretos (SP), onde realizam exames de rotina no Hospital de Amor para garantir que a doença permaneça sob controle.
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