segunda-feira, 22 junho, 2026
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‘Olha a aura… é mentira!’: Dancinhas de TikTok e remixes de funk invadem quadrilhas escolares

‘Trends’ de Tik Tok e remixes de brega funk invadem festas juninas escolares.
Redes sociais
🌽O período junino nas escolas brasileiras representa, para muitas crianças e adolescentes, o primeiro contato com as tradições do São João.
É impossível não lembrar daquela clássica cena ajoelhado na quadra da escola, com o chapeúzinho de palha na mão, esperando a introdução de “Clima de Rodeio” (2002) começar: 🎵 “A magia está no ar…”.

Nos últimos anos, porém, as coisas têm mudado bastante. Vídeos que circulam aos montes pelas redes sociais mostram alunos “adaptando” o jeito de dançar nas festas de norte a sul do país.
Ainda trajando os clássicos vestidinhos de chita e camisas xadrez, os estudantes têm incorporado às apresentações os novos passinhos do momento: como o do Jamal, do brega funk, e os movimentos da trend “6’7” (six-seven).
Tudo isso embalado por versões de forrós masterizados em formato de remix.
🪗 Na sola do six, na palma do seven…
Essa mudança, claro, divide opiniões, mas encontra respaldo entre os pais de alguns alunos.
Em Itumbiara, no sul de Goiás, a apresentação do 5º ano da estudante Sophia Pacheco Duarte Silva, de 10 anos, misturou o phonk “Brasil com S” (2026) com uma versão de forró de “Sou Brasileiro” da Banda Bicho do Mato (2014) e, claro, ele, sempre ele: o hit “6’7”.
A mãe chegou a brincar com o “choque” ao publicar um vídeo nas redes sociais com a legenda “Os pais indo na quadrilha dos filhos em 2026🤡 “, mas garantiu que aprovou a abordagem da escola.
“É a dança do momento deles. A gente tem que se adaptar porque, querendo ou não, com o passar dos anos as coisas vão mudando. É só não deixar a tradição completamente de lado”, afirmou Joice Cristina Pacheco Silva, de 28 anos, ao g1.
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Mas Joice não é a única. A brincadeira sobre a “surpresa” dos pais ao assistirem às novas apresentações escolares que incorporam essas trends da internet acabou virando… trend.
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👨‍🎓Dancinhas viram desafio para pedagogos
Se por um lado essa mistura de ritmos ganha espaço, por outro, há também quem defenda a manutenção da tradição.
Em Jaboatão dos Guararapes, Pernambuco, a escolha pedagógica de uma instituição de ensino cristã seguiu a cartilha clássica.
De acordo com a coordenadora Rafaela Charamba, a escola optou por manter a estrutura “original” da festa, mesmo após o pedido dos estudantes de incluir os passinhos do Jamal na coreografia.
O remix da apresentação contou com clássicos como “Riacho do Navio” (Luiz Gonzaga e Zé Dantas), “No Lume da Fogueira” (Dominguinhos), “Foi Deus Quem Fez Você” (eternizada na voz de Amelinha) e “Balão Dourado” (eternizada na voz de Amelinha).
“A inovação é importante, sim, claro. Mas ela pode ser incluída dentro da escola de outras formas, e não de uma maneira que quebre tradições que são passadas de geração em geração.”
Em outro colégio particular de Pernambuco, a escolha de seguir pelo ritmo tradicional também se repetiu.
Lá, a coreografia foi desenhada como um mergulho no sertão, homenageando a obra de Luiz Gonzaga e debatendo a importância da água.
“Nunca é só a festividade, mas a relação que ela tem com o conteúdo pedagógico. Abordando esse tema, a gente traz as histórias por trás das músicas: as alegrias e as dores do povo sertanejo. Escutamos as demandas dos alunos, sim, mas sem fugir da nossa história”, pontua a diretora Paula Leão.

🎤O lado dos artistas
Para o cantor e compositor Almério, que transita entre o forró, o xote e a MPB, o movimento não representa uma ameaça aos ritmos tradicionais.
Natural de Altinho, no agreste de Pernambuco, o artista enxerga a fusão com otimismo.
“É importante deixar os mais novos passearem pela tradição porque tudo muda o tempo todo. O que tiver substância e verdade, vai ficar”, avalia o músico, que defende o cuidado e o respeito no acompanhamento dessas transições.
Almério no São João de Caruaru
Lafaete Vaz / g1
Almério aponta ainda que, impulsionados por novas vertentes (como o piseiro), os gêneros tradicionais vivem, na verdade, um momento de expansão.
“O forró como um todo, com ou sem essas novas ferramentas, tem ganhado mais força e espaço tanto no Brasil quanto internacionalmente. O envolvimento dos jovens nessas trends é a prova disso”, completa o cantor.

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