Famoso pelas clássicas telenovelas como “Pantanal” e “Terra Nostra”, Benedito Ruy Barbosa tinha um talento que ultrapassava a teledramaturgia. Autor, que faleceu nesta terça-feira (7), escreveu a primeira biografia de Pelé.
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➡️Benedito morreu na capital paulista devido a complicações de insuficiência renal crônica. A informação foi confirmada pelo Hospital do Coração (HCor).
“Eu Sou Pelé”, lançado em 1961, narra a vida do Rei do futebol em primeira pessoa. O livro retrata a infância de Edson Arantes do Nascimento, mostrando o período em que ele sonhava em se tornar aviador e trabalhava como engraxate para ajudar a família.
Antes de se dedicar às novelas, Benedito foi repórter esportivo e acompanhou o início da carreira do Rei do Futebol. Em 1961, a convite da editora Francisco Alves, escreveu “Eu sou Pelé”, quando o jogador tinha apenas 20 anos e já era campeão do mundo.
Há seis anos, em entrevista ao ge, Benedito relembrou o convite para escrever a obra.
“O dono da livraria Francisco Alves me chamou para conversar. Cheguei lá, ‘olha, Ruy, precisamos escrever um livro sobre jogador de futebol. Já tivemos Leônidas, Jair da Rosa Pinto… mas queremos um livro sobre Pelé’. Eu falei: ‘Pelé está jogando agora, é um garoto’. ‘Mas já é campeão do mundo, na Europa chamam rei Pelé. Nós temos que fazer’. Eu falei ‘a gente tem que esperar, eu não vou escrever'”, lembrou.
Inicialmente resistente à ideia de escrever uma biografia de um jogador tão jovem, Benedito acabou mudando de opinião após conversar com o próprio Pelé durante viagens de trem pelo país.
No final, os dois escreveram o livro juntos, com os relatos de Pelé e a escrita e organização de Benedito. E, assim, o livro foi publicado como uma autobiografia.
Dessa parceria nasceu a obra que reúne lembranças da infância do craque, desde a vida humilde entre Três Corações (MG) e Bauru (SP) até a chegada ao Santos e o início da carreira que o transformaria em ídolo mundial.
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Lenda da TV
Benedito Ruy Barbosa
João Miguel Junior/TV Globo
Conhecido por verdadeiras sagas, o dramaturgo construiu histórias que atravessam o universo rural brasileiro, exploram a diversidade cultural, com interesse especial na imigração italiana, e apresentam amores intensos.
Seu legado inclui tramas icônicas como “Meu Pedacinho de Chão” (1971), “Pantanal” (1990), “O Rei do Gado” (1996) e “Terra Nostra” (1999), marcadas por protagonistas de “bom caráter, determinação para a luta, crença em valores positivos”, como o próprio determina.
O mais velho entre cinco irmãos, Ruy Barbosa nasceu em Gália, no interior de São Paulo, em 1931, e passou a infância na vizinha Vera Cruz, uma região de cafezais habitada por imigrantes japoneses e italianos
Com a morte precoce do pai, precisou trabalhar desde cedo para ajudar a família. Ao longo da juventude, trabalhou como auxiliar em uma firma comercial, vendedor de verduras e faxineiro, até conseguir um emprego como revisor no jornal “Estado de S. Paulo”.
O gosto pela escrita levou Benedito a criar seu primeiro romance, “Fogo Frio”, que foi adaptado para o teatro e premiado pela Associação Paulista dos Críticos de Arte, começo de sua trajetória como roteirista.
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Sua estreia na televisão aconteceu em 1966, com “Somos Todos Irmãos”, na TV Tupi. Nos anos seguintes, passou por emissoras como Excelsior, Record e TV Cultura. Em 1971, escreveu “Meu pedacinho chão”, novela produzida por uma parceria da Cultura com a Globo e exibida por ambas.
Cinco anos depois, assinou com a Globo, onde deu início a uma sequência de sucesso na faixa das 18h. Nessa época, adaptou o romance de Ribeiro Couto em “Cabocla” (1979).
Em 1990, ao se transferir para a TV Manchete, Benedito escreveu “Pantanal”, que inovou ao utilizar locações externas e explorar a cultura e os mistérios do bioma brasileiro.
Com o sucesso, retornou à Globo para escrever “Renascer” (1993), trama ambientada no interior baiano e marcada pelo duelo de gerações do coronel José Inocêncio. Ambas seriam refilmadas décadas depois, escritas por seu neto, Bruno Luperi.
Com “O Rei do Gado” (1996), Benedito abordou a rivalidade entre duas famílias de imigrantes italianos, enquanto discutia temas como a posse de terra e a reforma agrária.
Já em “Terra Nostra” (1999), retratou o drama dos italianos Matteo e Giuliana, separados ao chegarem ao Brasil no início do século XX.
Ruy Barbosa também revisitou suas próprias obras. Em 2006 e 2014, assinou as refilmagens de “Sinhá Moça” e “Meu Pedacinho de Chão”.
Na versão cheia de cores da segunda obra, declarou que finalmente conseguiu colocar no ar ideias que a Censura havia barrado na primeira versão, durante a ditadura militar.
Em 2016, escreveu “Velho Chico”, ambientada na fictícia cidade de Grotas do São Francisco, no sertão nordestino. A novela trouxe um embate de gerações e a disputa por terra e poder no interior do Brasil.
“Antes de mais nada, uma novela precisa ter uma grande história de amor”, definiu Benedito Ruy Barbosa em depoimento ao Memória Globo.
Antes de se tornar um dos maiores autores de novelas do país, Benedito Ruy Barbosa foi jornalista esportivo e escreveu Eu Sou Pelé, lançado em 1961.
Montagem/g1

