Uma camisa com uma frase simples, mas carregada de significado, transformou uma cerimônia acadêmica em um dos momentos mais marcantes da vida de uma família. Ao ver o filho, o estudante de medicina Antônio Júnior Arrais, à sua espera durante a Cerimônia do Jaleco, dona Maria de Jesus não conteve a emoção.
“Ver o meu filho nos esperando com aquela camisa, com aquela frase em homenagem a nós, ao que passamos, e todas aquelas pessoas aplaudindo e chorando. Nós sentimos tanto orgulho que não sei explicar”, disse.
A homenagem aconteceu durante o evento realizado em Araguaína, no norte do Tocantins. O estudante chamou atenção ao vestir uma camisa com a frase “o câncer tentou, mas não levou este momento”, lembrando o tratamento dos pais.
Dona Maria recebeu diagnóstico de câncer de mama em 2024. Antes disso, o marido, Antônio Arrais Bezerra, havia enfrentado o câncer em 2021 e voltou a ser diagnosticado em 2023.
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“Eu olhei para o lado, os colegas dele chorando, ele muito emocionado. Olhei para a parte em que ficam os pais, e as pessoas estavam chorando muito. Poderia ter sido uma história diferente, mas nós conseguimos estar presentes”, afirmou a mãe.
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“Ele nasceu para ser médico, cuidava de todos nós”, diz a mãe.
Reprodução/Arquivo pessoal
Para o estudante, a cerimônia simbolizou mais do que um marco acadêmico. Segundo ele, o momento representou a “materialização de uma luta coletiva” e o aprendizado sobre o verdadeiro sentido da medicina.
Já para a mãe, a cena ficará para sempre na memória. “Só consigo agradecer a Deus por estarmos ali. Poderia não ter acontecido, poderia ter sido diferente. Mas nós conseguimos”, afirmou.
Dedicação que virou propósito
A emoção do momento também refletiu anos de dedicação do filho durante o tratamento dos pais. Segundo dona Maria, Antônio Júnior abriu mão da própria rotina para acompanhar a família em todas as etapas da doença, inclusive durante períodos em que precisaram viajar para Barretos (SP).
“Ele abdicou do trabalho dele, da vida dele, e foi conosco. Cuidava de todos os agendamentos, organizava os exames, pesquisava tudo. Eu tenho certeza de que ele nasceu para ser médico”, contou.
A dedicação ia além da organização. O estudante preparava alimentação específica, pesquisava sobre os tratamentos e acompanhava de perto cada etapa. Em consultas, chegou a ser questionado por médicos se era da área da saúde, pela forma como explicava exames e diagnósticos.
Durante o tratamento, a família enfrentou situações de tensão. Em uma das sessões de quimioterapia do pai, ele passou mal dentro do hospital. A mãe relembra que entrou em desespero, mas viu o filho assumir o controle da situação. “Ele segurou o pai com calma, tentou me acalmar, ligou para o Samu e ficou estimulando ele. Meu filho é muito forte”, disse.
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